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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Da série: Sempre pensei mas não escrevi...


Eu tenho um sonho

05/12/2008 - por Daniel Ribeiro

Os professores finalizaram mais uma greve. Foi a minha primeira greve. Sei que assim como muitas outras que já aconteceram, muitas outras ainda acontecerão. Faz parte da história da luta eterna dos professores em defesa da educação, do respeito pela sua profissão e também pelo pão de cada dia.
Foi uma greve inédita, num período de risco: o final do ano letivo. E mais, junto a uma data de significado especial: a Semana Nacional da Consciência Negra, em referência à memória da resistência negra de Zumbi dos Palmares. Lembrei-me, por esta conta, das palavras de Martin Luther King, ditas há 45 anos, chamando uma nação inteira para uma reflexão sobre a injustiça da discriminação sofrida pelos negros nos Estados Unidos.
Em seu famoso discurso proferido em Washington, em 1963, o líder negro americano eternizou uma afirmação que usou para denunciar o sofrimento da população negra. "I have a dream" (Eu tenho um sonho). Como professor eu também tenho um sonho. Um sonho, que por certo, milhares de professores na ativa ou aposentados, também acalentam. Sim, cada vez mais ser professor parece oficio de idealistas, sonhadores, loucos.
Eu tenho um sonho de um tempo em não se farão mais greves, mobilizações, passeatas, protestos em defesa da educação e do futuro de alunos e da categoria. Pois os governos que elegemos trabalharam diuturnamente por isso, junto com o povo.
Eu tenho um sonho de que haverá ainda muita mobilização e passeata de professores, alunos, pais, da sociedade, mas elas serão sempre em solidariedade para ajudar as pessoas afetadas por calamidades naturais ou por outras necessidades adversas da vida.
Eu tenho um sonho de que os professores que lapidam com conhecimento aqueles que transformarão o futuro serão tratados com dignidade pelo imenso valor que tem para uma nação que se quer desenvolvida, forte e mais justa.
Tenho um sonho de que os professores receberão uma remuneração que lhes permita o sustento e a garantia de continuamente aperfeiçoarem seus conhecimentos transformando aulas em atividades lúdicas de prazeroso aprendizado para seus alunos.
Eu tenho um sonho de que um povo com mais escolaridade, educação, não se deixará lograr por políticos e governantes como estes que ai estão, que chegaram ao poder com uma lábia falaciosa, falsa, demagoga.
Eu tenho um sonho de que nossos governantes não nos trairão e que nossos deputados, senadores, vereadores saíram de seus gabinetes refrigerados e caminharão nas ruas de braços dados com os trabalhadores, com o povo que os elegeu.
Eu tenho um sonho que um dia iniciaremos ano letivo em escolas estruturadas, com salas com alunos suficientes para se dar uma aula da melhor qualidade.
Eu tenho um sonho que teremos material didático sem precisar fazer festinhas, bingo, almoços e outros artifícios para arrecadar recursos para manter o mínimo de dignidade nas nossas escolas.
Eu tenho um sonho de que os pais participarão mais da vida escolar dos seus filhos. Que estarão mais presentes nas escolas como ativos atores, para juntos defenderem uma escola de qualidade, democrática, pública e laica.
Eu tenho um sonho de que todos os professores serão respeitados e também sempre respeitarão seus alunos.
Tenho o sonho de receber dos meus alunos um abraço agradecido de reconhecimento e carinho, por ter por eles resistido, insistido e amado.
Sei que não sonho sozinho, por isso, é um sonho possível. Somos muitos, milhares que assim sonham. São muitos, milhares que continuaram lutando como muitos já lutaram e, como muitos ainda lutarão. É um sonho, pela dignidade do oficio de professor, de ensinante e de aprendiz que todos sempre somos. Yedas, Marizas passam, os professores são para sempre.
Daniel Ribeiro é professor de Filosofia

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Tudo o que eu queria dizer, mas não consegui organizar



Greve: ações coletivas e decisões individuais

01/12/2008 - por Paulo Ricardo Tavares da Silveira
Tomar decisões individuais fora do coletivo é alimentar a lógica do poder
O ato de escrever não é meramente exibicionista, isto é muito pouco para significar uma atitude pensada e reflexiva. Para quem escreve com "sangue", como diz Nietzsche, é muito mais uma tentativa de acalmar o espírito, de colocar em ordem idéias que volta e meia aparecem em nossa mente durante o dia. É assim que esta questão da greve do magistério estadual vem tomando de assalto meus pensamentos. Estou lendo um livro de Zigmunt Bauman, "Modernidade líquida", onde ele faz um contraponto entre "escolhas individuais" e "ações coletivas". O sociólogo polonês me inspirou a escrever estas linhas.
O dicionário Houaiss diz que greve é a "cessação voluntária e coletiva do trabalho, decidida por assalariados para obtenção de benefícios materiais e/ou sociais, como melhoria das condições de trabalho, direitos trabalhistas, etc, ou ainda para se garantirem as conquistas adquiridas que, porventura, estejam ameaçadas de supressão". Quem observa hoje (que não é só de hoje) a situação do magistério, a greve parece ser o antídoto ideal.
Para que uma greve exerça o seu papel ela precisa ter poder de gerar um impasse, um enfrentamento de forças opostas. Então o Governo declarar que a greve do magistério foi num momento impróprio é desconhecer o funcionamento deste mecanismo social. Ao se sentirem ameaçados em suas conquistas os professores entram em greve. Algumas escolas 100% de aderência. Uns por uma consciência coletiva, cientes das conquistas da categoria, outros nem tão conscientes assim. No outro extremo, outras escolas fazem de conta que nada está acontecendo. E ainda fazem questão de se expor na imprensa, como se fizessem parte de outra categoria profissional, talvez mais privilegiada do que aquela dos grevistas.
No meio destas duas posições estão aqueles que fazem de conta que descobriram "a" verdade e tomam decisões individuais, sem nenhuma justificativa plausível. Ação coletiva como uma greve reforça a categoria, gera politização profissional, aproxima os colegas, mostra que o professor não tem apenas conteúdos a ensinar, e sim atitudes. Considerar as decisões das assembléias da categoria é o mínimo que se espera de um professor que acredita nos mecanismos da democracia.
Porém, sempre tem um porém, não existem apenas ações coletivas, e sim também decisões individuais. Enquanto o Sindicato dos Professores tenta um diálogo em nome da categoria, a governadora responde com um ataque pessoal no bolso do professor. Acredito que nem Maquiavel tinha cogitado isso. Para uma ação coletiva se contra-ataca com uma decisão que afeta covardemente cada professor individualmente. É assim que entendemos esta volta dos professores as suas atividades. E é isto que a governadora espera, que estas pequenas decisões individuais minem as ações coletivas.
Tomar decisões individuais fora do coletivo é alimentar a lógica do poder instituído. Estas atitudes colocam professor contra professor, direção contra professor e professor contra direção de escola. Respeitar a dimensão coletiva da categoria é sinal de maturidade intelectual e pessoal. Da parte dos professores, aqueles que entraram em greve por uma mera decisão individual, saem da greve também por uma mera decisão individual.
O que não se diz é que as grandes conquistas individuais que a humanidade alcançou foram todas conquistas coletivas, que cobraram sacrifícios. Assim, tomar decisões individuais desconectadas de ações coletivas é no mínimo desconhecer a sociedade em que vivemos. E quem não conhece em que tempo vive deixará muito pouco para seus filhos, netos, bisnetos...

Paulo Ricardo Tavares da Silveira é professor de filosofia* Artigo publicado no Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul

domingo, 30 de novembro de 2008

Sem Razão


E de repente tudo perde a graça...
E não há, de imediato, nada a fazer...
E um vazio toma conta...
Cadê adrenalina?
Cadê ideologias?
Só me resta voltar à vida pacata e sem graça...
Aquele marasmo de todo dia, fazer sempre as mesmas coisas...


O que fazer?
O que dizer?
O que defender?


Que tédio!!!

Preciso de atividade.
Preciso de desafios.
Preciso de encantamento...

Vejo, então, que está em falta um motivo para lutar...

E, sem luta, não há vida...

Então, adormecerei até que novos desafios venham me acordar...

Para voltar a

Fazer,
Dizer,
Defender...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

De professor para professor


Enfim, chegamos a mais um 15 de outubro.
Dizem que este é o Dia do Professor. E, algum de nós talvez pense: Foi dia de comemoração, quando era aluna(o). Hoje não há mais o que comemorar. Vou vibrar com as salas lotadas? Com a falta de respeito e valorização? Com o salário hiper-defasado?
Então, lhe digo: É dia para comemorar, sim! Afinal escolhemos esta profissão e agora não é momento de fraquejarmos. Sabemos todos o quão difícil tem sido manter-nos em pé, trabalhando com a força e a coragem... e aquele amor de quem faz o que gosta.
Assim, queridos colegas, conclamo a todos para arregaçarmos as mangas mais uma vez e lutarmos. É hora de empunharmos nossa bandeira, como os profissionais que somos. Afinal, escolhemos a profissão, não nos acovardarmos diante de qualquer desafio e continuaremos a batalha. Sabemos que jamais algum governo deu-nos qualquer coisa. Todas as nossas vantagens, Plano de Carreira, reajustes, tudo foi conquistado com muita luta. E assim continuaremos: LUTANDO!
Queremos justiça social e valorização profissional por duas questões básicas:
1- estudamos tanto quanto os médicos, engenheiros, arquitetos, advogados, odontólogos, enfim, qualquer profissional de nível superior;
2- nenhum outro profissional existe sem antes alguém o ensinar, ou seja, sem ter ao menos um PROFESSOR.

Mais uma vez, o governo e sua secretaria de educação querem destruir o ensino público de qualidade. Mas nós estamos em maior número, levamos a sério aquele juramento da nossa colação de grau, contamos com uma organização sindical séria e de luta pela categoria, queremos reconhecimento pelo trabalho que fazemos, buscamos valorização profissional e salarial. Por isso, não desistimos. Vamos lá! Coragem! É DIA DO PROFESSOR! E vamos comemorar com a certeza de que cumprimos a nossa missão de ensinar, buscamos aperfeiçoamento e fazemos da nossa escola um prolongamento do lar, assim como desejamos aos nossos alunos o mesmo que aos nossos filhos.

“Avante educadores de fé,
unidos pela educação.

domingo, 24 de junho de 2007

Reencontro


Amigos verdadeiros são aqueles que estão ao nosso lado nos momentos mais difíceis da caminhada. Aliás, estes são os amigos; os demais são conhecidos.
Ao longo da vida contei com ótimos amigos sempre. No entanto, entre todas as pessoas a quem devo gratidão, há um destaque, porque também foi irmã, mãe, imensa AMIGA.
O destino, porém, foi traçado há muito, e por razão disso, nos separamos de pessoas que nos são muito caras. Assim, num determinado momento, nossos caminhos se separaram. Perdemos contato...
Anos se passaram até o dia em que, graças a internet e orkut, nossos filhos se reencontraram – e eles não tinham mais que 7 ou 8 anos na última vez em que nos vimos, mas já havia amizade entre eles. Embora cada um num computador e centenas de quilômetros de distância, é como se estivéssemos juntos outra vez.
Mais alguns meses e a possibilidade de nos vermos novamente. Um encontro real... 10 anos depois...
Receio, alegria, taquicardia, enfim, toda a apreensão que precede os grandes encontros. Tanto tempo... algo pode ter mudado... ou não... Enfim, é chegada a hora... e lá estamos nós, agora cinco (Ana Carolina está presente), frente a frente outra vez...
E se não fosse pelos rapazes de hoje – Bruno e Mateus – diria que o tempo não passou. Nós somos as mesmas, sem diferenças, sem mudanças... a amizade é eterna...
Que sensação maravilhosa! Que plenitude! Estamos novamente juntos e “nada mudou”. Daqui pra frente, poderemos até não nos falar com freqüência, mas tenho certeza que jamais nos perderemos novamente...
Vera, Mateus, Evaldo (este ainda não revi): vocês são amigos inesquecíveis. Amaremos vocês por todo o sempre!
Obrigada Deus, por essas pessoas maravilhosas que um dia colocaste em minha vida!!!

domingo, 3 de junho de 2007

O dia em que chutei o último balde...

Sempre que possível, sou otimista. Espero que as coisas mudem, as finanças melhorem, as pessoas percebam seus erros, suas falhas, enfim...
Assim, nesta espera, por três anos aguardei ser reconhecida, valorizada, partilhar a família, os amigos, viagens, planos, sonhos...
No entanto, os dias, semanas, meses e anos se sucederam sem que eu fosse apresentada ao seleto grupo familiar e de amigos. Juntou-se a isso o não reconhecimento da boneca perante os demais familiares.
Não fui convidada para nenhuma festa, nenhuma viagem, para ir a lugar algum, nem incluída nos planos futuros – ao menos jamais houve qualquer comunicação desta natureza. Quiçá, houve presença nos momentos difíceis por que passei...
E assim, fui acostumando a continuar só. A contar somente com “os de sempre” ou comigo mesma.
À medida que os fatos se sucediam, mais admirava o “eu” em que me transformava; melhor percebia o quanto era suficiente para os deveres que tenho a cumprir SOZINHA...
Conseqüentemente, descobri que sabia tudo o que precisava e podia tocar a vida...

E
Assim
Chutei
O
Último
Balde....

sábado, 2 de junho de 2007

Neurótica, sim! E daí???

Existem coisas que o tempo não consegue consertar. E as minhas neuras vivem tão bem comigo, que ninguém conseguirá curá-las. Poderei, um dia, até minimizá-las, jamais extingui-las.
Com certeza já melhorei bastante – em especial nos últimos 17 anos. Porém...
Quando Bruno, meu filho mais velho, era bebê, só não o colocava no caldeirão para esterilizá-lo, pelo receio de queimaduras. Com Ana Carolina, a caçula de 2 anos, permito até a ingestão de algumas “cacacas” inofensivas.
Sou neurótica com o quilo a mais, adquirido nas últimas semanas de frio intenso. Mas adoro meus cachos, apesar da insistência comercial pelas madeixas lisas a qualquer preço.
Tenho chiliques com aquela bolinha de barriga – resquício da gravidez –, mas não me importo com os seios murchos após 2 anos e 3 meses de amamentação.
A casa deve estar sempre limpa e organizada, mas não há nada contra a estante de brinquedos bagunçada ou a busca de um espaço para pisar, no escritório-quarto de brinquedos.
Fico doida se a pequena não comeu, ao menos, uma porção de frutas no dia, porém, vez ou outra, permito um “mommom” antes do jantar.
E assim, vão-se somando loucuras e condescendências, desde que não me digam como devo agir...
Sim! Esta é a maior de todas as neuras: não admito que ditem as regras que vão reger minha vida e meu lar. Sou uma pessoa centrada, responsável ao extremo, sabedora dos meus deveres e também dos meus direitos. Portanto, não me interditem, não me digam o que é melhor pra mim, não me digam como agir...
As regras da minha vida, da minha casa, da minha família, eu mesma faço! E quando erro, sei voltar atrás e corrigir ou desfazer o equívoco.